Produção Primária

A participação da produção primária na receita do município, tanto a produção vegetal quanto a de origem animal, é pequena e está em declínio. Dados que expressam essa participação dos anos de 1994 a 2005 revelam que em 1994 as atividades do setor primário contribuíram com 11,57% do total, reduzindo-se esta participação nos anos subseqüentes, para chegar em 2005 a participar com apenas 1,93% do total do Valor Adicionado Fiscal no município.

Representatividade da Produção Primária em Lajeado - 1994 a 2005
Ano Produção Primária Outras atividades Total
Valor Absoluto % Valor Absoluto % Valor Absoluto %
1994 27.113.433
11,57 207.322.076
88,43 234.435.512 100
1995 22.377.650
8,30 247.119.981
91,70 269.497.632 100
1996 23.732.907
7,35 299.169.571   92,65 322.902.478 100
1997 23.913.485
7,30 303.826.812
92,70 327.740. 297 100
1998 18.675.540
5,83 301.580.527
94,17 320.256.067 100
1999 9.957.716 2,94 328.932.775 97,06 338.890.491 100
2000 7.926.786 2,23 347.946.090 97,77 355.872.876 100
2001 11.217.474 2,78 396.812.632 97,22 408.030.106 100
2002 9.912.143 2,31 418.400.227 97,69 428.312.370 100
2003 12.336.619 2,14 563.435.306 97,86 575.771.924 100
2004 13.606.620 2,25 590.384.705 97,75 603.991.325 100
2005 12.312.190 1,93 638.450.907 98,07 650.763.097 100
Fonte: Secretaria da Fazenda do Estado do RS.

 

Com os dados sobre o rebanho das principais espécies animais observa-se que o município se destaca, dentro da região, na produção de codornas, mas perdeu significativo espaço em dois segmentos fortes, a criação de Galinhas e de "Galos, frangos e pintos", para outros municípios da região, pois pelos contínuos desmembramentos de que foi alvo, a partir das emancipações de seus distritos, perdeu grande área territorial e, por conseqüência, espaço para manter a criação destes rebanhos. Mantem-se forte na criação de codornas, pois esta espécie exige espaço mínimo para sua criação.

Já em termos de região, o Vale do Taquari participa com mais de um quarto da produção de "Galos, Frangos e Pintos" no Estado do RS. Nos demais segmentos, a sua participação é mais limitada, de forma indiividual, mas significativa em termos de diversificação produtiva, pois em 2005, além da forte participação na criação de "Galos, Frangos e Pintos", a região era também responsável por 18,76% da produção de codornas, 16% na produção de galinhas, 15% na produção de suínos etc., tal como pode ser observado em detalhes pelas tabelas da Variação e Representatividade dos Rebanhos.

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No que diz respeito à produção de derivados de produtos de origem animal, Lajeado em 1990 produzia volume significativo de leite que, porém começa a se reduzir à medida em que os distritos se emancipam e o município perde área territorial, prioritariamente de exploração rural. Em 2000 esta produção já não mais atingia 50% do que se produzia em 1990, chegando em 2005 a ter uma participação irrisória no contexto regional. Esta característica também se verifica na maioria dos demais produtos de origem animal.

De outro lado, todavia, ocorre uma elevada expansão na produção de Ovos de Codorno. Mesmo parecendo insignificantes, os números apresentados mostram que, em 2005, Lajeado foi o segundo maior produtor deste derivado no Estado do RS, só perdendo para a produção da capital do Estado.

Em termos de Vale do Taquari, a produção de derivados de origem animal também se mostra bastante diversificada, justificada em função da diversidade de rebanhos que aqui são criados. Os dados brutos mostram com clareza o quanto representa o Vale do Taquari dentro do Estado do Rio Grande do Sul, quando se trata da produção de Ovos de Codorna. Informações mais detalhadas podem ser observadas nas tabelas de Variação e Representatividade dos Produtos de Origem Animal de Lajeado e região.

Produção de derivados de origem animal de Lajeado
Unidade
Geográfica  
Ano 
(Kg)
Leite
(1.000 l)
Mel
(Kg)
Ovos de Galinha
(1.000 dz)
Ovos de
Codorna
(1.000 dz)
Lajeado
1990
136 22.292 17.500 7.234 -
1995
105 15.175 9.000 3.424 2
2000
205 10.000 7.200 10.092 67
2003
80 2.560 1.100 7.154 225
2005
67 2.380 5.000 7.150 380
Vale do Taquari
1990
12.303 139.086 150.328 28.467 -
1995
9.617 148.664 136.420 36.180 25
2000
19.054 178.045 211.477 43.953 440
2003
12.222 191.554 276.005 41.894 569
2005
15.708 216.588 368.115 45.919

1.334

Estado do RS
1990
28.048.228 1.451.797 3.275.398 215.658 663
1995
23.691.843 1.710.677 3.608.363 249.946 1.265
2000
12.402.447 2.102.018 5.815.448 260.350 2.758
2003
10.397.489 2.305.758 6.777.865 245.655 3.742
2005
9.883.261 2.467.630 7.427.944 258.217 4.969
Fonte: Levantamento anual sistemático do IBGE

 

Produção Vegetal

a) Cultivos de lavoura
O milho foi o cultivo agrícola com maior área cultivada no município de Lajeado até 1995. Reduziu signficativamente a área cultivada, mas em 2003 ainda se mantem na liderança em termos de volume de área cultivada. Esta redução que também ocorreu em outras culturas ocorreu em função das emancipações ocorridas ao longo do período, que reduziu drasticamente a área rural do município. A tabela dos produtos agrícolas gerados em 1995 e 2005 mostra em detalhes as mudanças que ocorreram no município no período destes quase 10 anos.

Em termos de valor de produção, o milho e a mandioca foram os dois produtos líderes na geração de renda em 1995 e se mantêm até hoje nesta liderança. Em patamar seguinte aparecem outras culturas como o soja, a batata-doce e a cana-de-açúcar, como bons geradores de renda, todos acima de R$ 100 mil gerados em 2003.

b) Hortifrutigrangeiros
Pelos dados apresentados na Tabela de Comercialização de Hortifrutigrangeiros em 2002 pela Hortovale, observa-se que poucos produtos tiveram incremento no volume comercializado no período pós-2000, quando tivemos o desmembramento de Forquetinha e Canudos que se emanciparam. Alguns produtos como Laranja umbigo (137,74%), Chuchu (80,72%), Alface (33,63%), Beterraba (26,67%), Noz pecã (26,24%), Mandioca (13,32%), Feijão (5,56%) apresentaram crescimento real tanto no volume físico disponibilizado quanto no volume comercializado. É necessário destacar, porém que o volume disponibilizado não pode ser considerado como produzido em Lajeado ou região. Grande parte destes hortifrutigrangeiros provêm de outros municípios, especialmente da CEASA.
Em termos de valores financeiros, a diminuição do volume comercializado de 2000 para 2002 não repercutiu na mesma proporção em termos de receita gerada, pois mesmo 50% menos em 2002, a receita se reduziu em apenas 36 pontos percentuais.

Volume comercializado e Receita Gerada
Descrição
1996²
2000
2002
Var 00/02
Disponível (kg)¹ 548.100 784.250 396.150
-49,49 %
Vendido (kg)¹ 389.050 626.150 319.750
-49,93 %
Receita gerada (R$) 141.750,00 282.300,00 179.900,00
-36,27 %
Fonte: Hortovale, Relatórios Anuais
(1) Conversão da quantidade comercializada em peso;
(2) Comercialização iniciada no mês de maio.

De qualquer modo, na avaliação do que é produzido em Lajeado, é possível constatar que há potencial para produção de hortifrutigranjeiros com vistas ao abastecimento da região. Na microrregião Lajeado-Estrela, segundo pesquisa nos mercados atacadista e varejista, importa-se de outras regiões cerca de 11.630 t/ano, sendo a batata o principal produto seguido pela cebola, repolho, tomate, couve-flor, rabanete e tempero verde.

No entanto, técnicos ligados ao setor primário de produção alertam que o município não tem tradição na área de produção de hortifrutigrangeiros, sendo este um fator que deve ser melhor analisado. Pode-se, entretanto, através de um programa que inclui treinamento e assistência técnica, aumentar a produção local e diminuir a evasão de divisas.

 

Produtos de origem animal
Segundo a tabela das principais espécies animais de Lajeado, observa-se que a produção regional do município, em 1995, destacava-se na produção de aves, suínos e bovinocultura. Com a redução da área do município esta realidade mudou muito. Segundo técnicos da área, ainda não se dispõe de números oficiais mas mantêm-se principalmente atividades voltadas a aves de postura. Neste sentido importantes indústrias de transformação de produtos de origem animal encontram-se localizadas em Lajeado, a Avipal e a Minuano, estimulando a produção primária na produção de aves de corte e de postura.

Em 1995, a produção de leite representava o diferencial econômico rural, especialmente porque indústrias como a Parmalat, Languiru e Cosuel impulsionaram o processo primário de produção, incorporando tecnologia.

A pecuária leiteira constituiu-se numa das alternativas para pequenos produtores rurais apresentando potencial para expansão através da melhora do padrão zootécnico dos animais, da alimentação, das instalações e sanidade do rebanho. Mas com a redução da área territorial do município, este potencial se transferiu para os novos emancipados.