Visão Global da Economia de Lajeado
Empregos
Os dados da RAIS registravam, em 1991, um total de 14.983 empregados formais no município, apesar de que naquele ano as estatísticas da RAIS ainda absorviam muitos erros de informação, o que deve ter levado estes números para uma subestimação. Tanto isto é verdade que, na geração dos dados da Tabela 01, os valores para 1991 e 1995 apresentam uma coluna de informações num segmento denominado "Outros/Ignorado". Mesmo assim, observa-se que em todos os segmentos houve um crescimento ao longo do período, com exceção da Agropecuária, em função da redução da área geográfica de Lajeado, pela emancipação de vários municípios, de seu território, entre 1991 e 2001.
A ampliação do emprego que ocorreu em quase todos os setores, não ocorreu de forma contínua no segmento da Construção Civil, em que se observa altos e baixos em termos de estoques de final de ano. Apesar destas oscilações, foi o setor que apresentou o maior crescimento relativo, com uma variação de 145% entre 1991 e 2005. Todavia, foi o setor Serviços que gerou o maior aumento nominal, com um incremento de 3.309 vagas suplementares, seguindo-se os setores comercial e industrial com 2.535 e 2.167 vagas a mais no período.
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Ao se tratar sobre os salários médios pagos aos empregos formais de Lajeado, se observa que, em relação ao período de 1991 a 2005, o Setor Serviços remunera bem melhor do que qualquer outro setor, chegando a atingir índices entre 25% a 30% acima da média geral. Os demais setores apresentam salários relativamente semelhantes, à exceção da Agropecuária que, historicamente, remunera sua mão-de-obra com valores inferiores.
Por outro lado, ao se considerar as perdas sofridas, em termos de número de salários mínimos pago à mão-de-obra empregada, ao longo do período em análise, observa-se que as perdas foram bastante semelhantes entre os diversos setores. Todavia foi o setor Serviços que parece ter sido o mais atingido, em termos nominais, já que o salário médio apresentou perda de quase 1,5 salário mínimo, Todavia, em termos relativos, a mior perda ocorreu no setor industrial, em que se observou uma redução salarial de 33% no período em análise. No geral, porém, as perdas salariais se mantiveram próximo dos 30% enter 1991 e 2005.
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O conjunto de empregos observado na tabela inicial, trouxe uma variação na massa salarial média mensal paga, que se ampliou, ao longo do período, em 117,6%, enquanto o salário mínimo teve, neste mesmo período, um atualização de 120,6% (de R$ 136,00 para R$ 300,00). Isto significa dizer que a massa salarial cresceu menos do que apontou a variação do índice de correção do salário mínimo.
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A análise da massa salarial observada na tabela anterior, mostra que o setor industrial acabou perdendo participação ao longo do tempo, cujas diferenças foram assumidas pelo setor comercial e em parte também pela construção civil, pelo menos até 2004. O setor serviços, mostrou um crescimento até 2001, para depois reduzir sua participação e voltar aos patamares de 1999.
É relevante o fato de que o setor Serviços mantem-se com o maior salário médio pago, com 3,43 salários mínimos, enquanto o setor Agropecuário apresenta o menor valor, com exatos 1,97 salários mínimos. Já o setor com maior massa salarial também é o de Serviços, com 39,75% do total, mesmo que o maior número de empregados esteja no setor Industrial, com um total de 9.143 pessoas.
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A avaliação dos salários nos permite também criar uma nova tabela que espelha a distribuição do volume de empregados, segundo as diferentes faixas salariais. Neste contexto é possível verificar que em 1999, por exemplo, 4.581 pessoas, empregados em diferentes ramos de atividade, recebiam até 2 salários mínimos. Mas um contingente de quase 10 mil empregados percebiam remuneração entre 2 a 5 salários mínimos. Porém os maiores salários sempre ficam limitados em mãos de poucos. Por isto, em 1999 apenas 640 pessoas percebiam entre 10 e 20 salários e apenas 149 pessoas obtinham remuneração superior a 20 salários mínimos.
Para 2005 este quadro se altera de forma substancial, pois os 4.500 empregos com remuneração de até 2 salários mínimos, se ampliam para mais de 11.000 empregos com estes ganhos mensais, enquanto nas classes com salários superiores a 5 salários mínimos, o volume de empregados se reduziu significativamente.
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Estas informações, transformadas em valores relativos, mostram que, em 1999, pouco mais de um quarto dos empregados recebia menos de 2 salários mínimos, porém mais da metade do contingente populacional empregado, percebia entre 2 a 5 salários. No conjunto, isto representava uma massa populacional empregada de mais de 80%, com remuneração média mensal de até 5 salários mínimos.
Já em 2005, as alterações são tão significativas que, em valores relativos, podem até surpreender, pois de um volume inicial de 26% de empregados que recebiam mensalmente até 2 salários minimos, este volume duplica, passando para 50% da mão-de-obra empregada, enquanto no segmento seguinte, de remuneração mensal entre 2 e 5 salários mínimos, o volume de trabalhadores passou de 58% para 41,5%, tal como os demais segmentos que também mostram significativa redução. Isto evidencia, com muita clareza, o quanto a média salarial foi e está sendo achatada de ano para ano, pois se nos segmentos acima de 2 salários mínimos, o volume da massa empregatícia se manteve relativamente estável, fica claro que, a ampliação de quase 5.000 empregos em Lajeado, ocorrida ao longo do período, conforme mostrado na Tabela 01, foi toda direcionada aos salários mais baixos, inferiores a 2 salários mínimos.
No conjunto geral, é possível constatar que, em 2005, mais de 91% perceberam salários inferiores a 5 salários mínimos, o que representa uma ampliação da massa empregada nesta faixa salarial, de 6 pontos percentuais sobre 1999, o que mais uma vez confirma o achatamento salarial observado, sobre a mão-de-obra formalmente empregada.
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Pelos estoques de empregados existentes em cada setor de atividade, a Tabela 07 mostra que em 1999, o maior contingente de assalariados, que percebia até 2 salários mínimos, se encontrava no setor Serviços, enquanto em 2005, o maior contingente desta faixa salarial acabou sendo absorvido pelo Setor Industrial. Isto se explica, tendo em vista o volume de imigrantes que anualmente aportam a esta cidade em busca de emprego e que possuem, como alvo principal, as indústrias locais. Estes imigrantes, em busca de qualquer emprego de subsistência, acabam sendo então contratados com remuneração mínima, o que faz crescer significativamente este contingente de baixos salários.
Na faixa de remuneração seguinte, entre 2,1 e 5 salários mínimos, o maior volume de empregados mantem-se ligada à área industrial, com leve decréscimo ao longo do período. Já nas faixas salariais mais elevadas, acima de 5 salários mínimos, o maior contingente se situa no setor serviços.
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A Tabela seguinte nos mostra com maior consistência o achatamento salarial observado no mercado de trabalho lajeadense, no período entre 1999 e 2005. A classe dos assalariados industriais, que recebia até 2 Salários Mínimos, formalmente inchou, ampliando seu volume de empregados em 240%, enquanto nos demais setores de atividade o aumento da massa empregatícia ocorreu em bem menor volume. No total, porém, este segmento salarial foi ampliado em 145% neste período de 6 anos.
Por conseqüência dos inchaços verificados no segmento salarial inferior com até 2 salários mínimos, as demais classes salarias apresentaram significativa redução em seu volume de empregos.
Este conjunto de informações, mais uma vez nos projeta o retrato já observado em análises anteriores, sobre o forte achatamento salarial que se abateu sobre os assalariados, neste curto período em análise: 1999 a 2005, que todavia, não é exclusividade deste município, mas é princípio universal da mão-de-obra empregada no país inteiro.
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Geração de Renda
No que diz respeito ao Valor Adicionado Fiscal, o setor Agricultura e Pecuária contribuiu com apenas 2,27% em 2000 e se manteve em 2,25% até 2004, para ampliar um ponto percentual a sua participação em 2005, mesmo que este acréscimo pode naõ se manter nos próximos anos, tendo em vista que o município tem sua economia baseada fundamentalmente no Comércio Varejista, na Indústria de Transformação, Beneficiamento e Serviços.
É o Comércio Varejista responsável por um quarto do Valor Adicionado Fiscal Bruto gerado ao longo de período, secundado sempre pelos segmentos da "Indústria de Transformação", "Indústira de Beneficiamento" e "Serviços e Outros", não necessariamente nesta ordem.
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Todos os segmentos se mantiveram relativamente estáveis ao longo do período, com pequenas oscilações. Talvez a grande exceção tenha sido o segmento da indústria de beneficiamento.
A participação da indústria de beneficiamento em 2003 foi tão significativa que, de uma participação média de aproximadamente 18 a 20% na composição do Valor Adicionado Fiscal do município nos anos anteriores, em 2003 acabou representando quase 30%, mas reduziu, aos patamares iniciais, a sua participação nos anos seguintes.
De maneira geral, o Comércio Varejista apresenta uma participação de 26,33%, secundado pelos setores "Indústria de Transformação", "Indústria de Beneficiamento" e "Serviços e outros", que alcança 21,25%, conforme mostra em detalhes a Tabela 10 seguinte.
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Em termos de Produto Interno Bruto (PIB), conforme dados revisados pelo IBGE (a partir de 2001, com nova metodologia), o Município apresentou em 1996 um PIB total de R$ 563,86 milhões e em 2004 de R$ 1.071 milhões. Neste período é importante destacar a alteração física que o município sofreu, pela emancipação de seus distritos. Embora o período representasse um crescimento de 89,96%, significou um decréscimo de sua participação no Estado de 0,89% para 0,75% em razão de o Estado ter crescido 109,87% no mesmo período. Evolução semelhante ocorreu em relação à região do Vale do Taquari, já que em 1996 Lajeado detinha 21,32% do PIB da região para em 2004 essa participação cair para 19,3%. Estes valores em termos absolutos retratam semelhante proporcionalidade na análise do PIB per capita. Enquanto este indicador apresentava, para Lajeado, um valor nominal de R$ 8.975,99 em 1996 e que passou para R$ 16.430,71 em 2004, o equivalente a um crescimento de 83,05%, na região do Vale do Taquari este crescimento atingiu 86,59% e no Estado 103,05%.
O PIB per capita de Lajeado em 1996 era 36,74% maior que o do Estado e 1,65% maior do que o da região. Já em 2004, o PIB per capita municipal passou a ser de R$ 16.430,71, o do Estado R$ 13.328,58 e o da região R$ 16.477,05. Assim o do município acabou sendo, em 2004, 23,27% maior do que o do Estado, mas 0,28% menor que o da região.
Há de se considerar que o período de 1996 a 2004 apresentou variações diferenciadas no município, com anos de crescimento do PIB e outros de queda. Já na região do Vale do Taquari e no Estado do RS como um todo, não ocorreram estas variações negativas, com exceção do primeiro período para o Vale do Taquari. Em parte isto pode ser justificado pela desmembramento de distritos que se emanciparam de Lajeado e que reduziram a área territorial do município, especialmente de contexto rural, o que caracterizou uma substantiva redução da geração de renda do setor primário, tal como se observa na Tabela anterior, em que o Valor Adicional Fiscal Bruto acusou uma redução de 48,8%, passando de R$ 24 milhões em 1997 para apenas R$ 12,26 milhões em 2005. Isto significa dizer que, enquanto o setor primário respondia em 1997 por cerca de 7,3% do Valor Adicionado Fiscal, em 2005 este Setor responde por apenas 3,37%.
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