Abastecimento de Água

O serviço de abastecimento de água da cidade de Lajeado é realizado pela Companhia Riograndense de Saneamento - CORSAN, empresa de economia mista, tendo como premissa básica a prestação de serviços de suprimento de água e esgotamento com qualidade e capacidade adequados baseado nas necessidades atuais e de expansão futura. A Prefeitura Municipal de Lajeado também é responsável pelo abastecimento de água da cidade com perfuração de poços artesianos, através de captação de água subterrânea. O controle de qualidade dessas águas também é de responsabilidade da Prefeitura, a qual através de sua Secretaria da Saúde realiza o monitoramento da qualidade de cada captação.

A disponibilidade de água de boa qualidade para as populações do meio urbano e rural, é uma necessidade cada vez mais premente tendo em vista a questão de saúde pública, prevenção de doenças, higiene, limpeza pública, entre outros.

Do ponto de vista econômico, a água participa como insumo básico no processo produtivo nas indústrias. Em termos sociais, atua como elemento indispensável para a higiene das habitações, no controle de doenças e diminuição da mortalidade infantil. No aspecto ambiental é de fundamental importância para a manutenção do ecossistema.

O sistema público de abastecimento de água, conforme dados obtidos junto a CORSAN (sede de Porto Alegre), atende 49.186 habitantes, ou seja, 80,32% da população total do Município. Verifica-se, portanto, um índice acima de 90% de abastecimento da população urbana, significativamente acima da meta governamental (80%), no que concerne ao abastecimento de água.

 

Mananciais
O abastecimento de água utiliza como fontes de suprimento o aqüífero subterrâneo (arenito Botucatú) e águas superficiais do rio Taquari, o curso de água principal da região.

O lençol de água subterrâneo da região, também designado aqüífero Guarani, é considerado uma das maiores reservas de água doce de boa qualidade do mundo, sendo que sua área de ocorrência ultrapassa as fronteiras do Brasil, atingindo também Argentina, Paraguai e Uruguai.

O manancial de água superficial, o rio Taquari, tem suas nascentes próximas ao Município de Bom Jesus onde possui a denominação de rio das Antas, e a partir do contribuinte rio Carreiro passa a ser denominado de rio Taquari.

As características hidrológicas do rio, níveis e vazões mínimos, médios e máximos, qualidade das águas e principais usos (diluidor dos efluentes industriais) podem ser encontrados no estudo desenvolvido pela Secretaria do Estado do RS, sob o título ‘Avaliação quali-quantitativa das disponibilidades e demandas de água na bacia hidrográfica do sistema Taquari-Antas’ – CRH/SOPSH/DRHS/FRH-RS, concluído em Setembro de 1997.

Como exemplo, citamos parte do Quadro n. 08, Relatório Técnico n. 2 (p. 37), edição final, abaixo transcrito, com referência a sub-bacia (n. 15), onde se insere o Município de Lajeado, e onde se observa a vazão mínima (Qmín) nos pontos característicos do rio Taquari-Antas:

Sub-bacia Ponto Característico Localização 5Q10(m3/s) 7Q10(m3/s)
15 P Rio Taquari - Posto DEPRC 8688060 55,64 59.90
Fonte: FATEC, Diagnóstico Sócio-Econômico de Lajeado, Lajeado, Set/2000
Obs.:
5Q10(m3/s) - Vazão mínima de estiagem de 5 dias de duração e 10 anos de tempo de retorno.
7Q10(m3/s) - Vazão mínima de estiagem de 7 dias de duração e 10 anos de tempo de retorno.

O trabalho observa que, segundo os usos dos recursos hídricos identificados e as prescrições da Resolução CONAMA n.20/86, ver anexo, o rio Taquari-Antas deve ser enquadrado em classe 2 em toda a sua extensão, basicamente usos para: Abastecimento domiciliar (após tratamento convencional); Irrigação de culturas (hortaliças e plantas frutíferas); Recreação de contato primário (natação, esqui aquático e mergulho); Proteção às comunidades aquáticas; e a criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana.

O enquadramento nestas classes é um instrumento de planejamento ambiental, pois estabelece o nível de qualidade (ou classe) a ser alcançado e/ou mantido em um segmento de corpo de água ao longo do tempo. Em função disto são estabelecidos limites de lançamento de resíduos. Portanto, são tolerados lançamentos que atendem a uma série de restrições no que tange à qualidade do efluente, “não venham a fazer com que os limites estabelecidos para as respectivas classes sejam ultrapassados” (art. 19, Resolução CONAMA n.20/86).

A sistemática preconizada é que o IBAMA (rios federais) ou o órgão estadual de meio ambiente (rios estaduais) enquadrem as águas, ouvidas entidades públicas e privadas interessadas. Em função disso, serão estabelecidos programas permanentes de acompanhamento de sua condição, bem como programas de controle da poluição para que os cursos d’água atinjam as classes respectivas. Devido as conseqüências econômicas, sociais e ambientais desse instrumento de enquadramento, há necessidade de que ele seja resultado de um processo de planejamento integral, no caso, com enfoque no planejamento da bacia hidrográfica, que compatibilize a oferta com as demandas do recursos hídricos e dos demais recursos ambientais cujo uso afete não somente a quantidade como a qualidade das águas.

Os custos e benefícios, definidos de forma ampla, devem ser estimados e comparados para justificar o enquadramento em uma ou outra classe.

O trabalho também demonstra que além dos estudos do balanço hídrico efetuado entre vazões disponíveis e demandas calculadas nas diversas sub-bacias e nos pontos característicos, um detalhado cadastramento das captações existentes na bacia está disponível, para orientar o processo de emissão de outorga para o uso da água.

A bacia do Taquari-Antas possui uma área aproximada de 23.000 Km², considerada até a foz do rio Taquari, pertence a região hidrográfica do Guaíba, a qual abrange uma área de 85.950 km² equivalendo a 30% da área total do Estado. Portanto, a bacia do Taquari-Antas enquadra-se nas ações preventivas e de planejamento do programa Pró-Guaiba, no sentido de regulação e preservação do meio ambiente natural e construído.

Na Bacia hidrográfica Taquari-Antas a seção Lajeado possui área aproximada de 2.000 km2, ou seja, quase 10% da área total e com uma situação dentro da bacia bastante significativa para o contexto global.

 

Captação Subterrânea
A captação de água do manancial subterrâneo é realizada atualmente por três poços tubulares profundos, denominados LJ-2, LJ-4 e LJ-5 da CORSAN, localizados nos loteamentos Antares XV, Antares XIII, Petry e Schimidt, bairro Olarias, conforme consta do Mapa Temático - Reservatórios - Captação - ETA.

O poço LJ-3, localizado nas proximidades da Rua Beira Rio, Vila Santo Antonio, está atualmente desativado.

A vazão máxima e localização dos poços profundos, atualmente em operação, conforme informações da CORSAN/RS, estão identificadas na Tabela seguinte:

POÇO VAZÃO (Q) l/h LOCALIZAÇÃO
LJ2 25.715 Continuação da Rua Emilio Albichequer Bairro São Cristovão
LJ4 52.800 Próximo da Rua Maurício Cardoso, Bairro Santo André
LJ5 49.500 Próximio da Rua Bernardino Pinto, Vila Santo Antonio

Conforme planejado pela CORSAN, está prevista a execução de um novo ponto de captação, Poço LJ1, com capacidade estimada de produção de água de Q= 20.307l/h, entre as ruas Adolfo Hoffmann e rua Frederico Arnoldo Weber, Bairro Olarias. Portanto, a produção de água total obtida por captação subterrânea passará a ser de 148.322 l/h, confirmando um abastecimento de acordo com a população, principalmente dos novos loteamentos.

Segundo o trabalho da Secretaria de Obras do Estado-RS, a potencialidade de captação de água subterrânea para a sub-bacia 15, Rio Taquari, apresenta capacidade de produção na faixa de 1 a 3 m3/h, formação Serra Geral, cota menor do que 450 m. Um cadastro de captação de águas subterrâneas para abastecimento público pode ser encontrado nos mapas de ns. 28, 28A e 28B do volume 3, tomo II, daquele trabalho.

 

Captação Superficial
O manancial superficial, através da utilização da lâmina líquida do rio Taquari, contribui com cerca de 87,2% da produção de água.

A captação junto ao rio Taquari está situada em sua margem direita, aproximadamente 700 metros à montante da ponte da BR386, no fim da Rua José Bonifácio esquina com a Rua Pedro Ruschel Sobrinho.

A adução da água bruta até a ETA (Estação de Tratamento de Água), localizada na Rua Lothar Felipe, é realizada através de 2 adutoras com vazões de 160 l/s e 200 l/s, respectivamente.

A vazão atualmente captada no Rio Taquari é de 160 l/s. Concluídas as obras de expansão da captação e elevatória de água bruta, com previsão para o final do ano 2000, haverá um incremento de cerca de 200 l/s na vazão acima registrada, passando o sistema de captação superficial a operar com cerca de 360 l/s.

O trabalho da Secretaria de Obras do Estado/RS, em seu relatório técnico n. 02 nos informa que para a sub-bacia 15, Rio Taquari, as demandas de água superficial segundo o uso, são:

USO
ANO Demanda (Q m3/s)
Abastecimento público doméstico 1997 0,1100 - 0,2200
Abastecimento público doméstico 2007 0,1200 - 0,2400
Abastecimento público industrial 1997 0,0300 - 0,0600
Abastecimento público industrial 2007 0,0200 - 0,0400
Abastecimento público industrial (captação independente) 2007 0,0360 - 0,1200
Demanda total de água superficial 1997 0,3000 - 0,6000
Demanda total de água superficial 2007 0,4000 - 0,8000
Fonte: FATEC, Diagnóstico Sócio-Econômico de Lajeado, Lajeado, Set/2000

As demandas para 2007 são estimativas baseadas nestes estudos desenvolvidos para a bacia Taquari-Antas, conforme o trabalho acima citado.

 

Tipo de Tratamento
As águas do manancial subterrâneo, por sua condição de qualidade, recebem apenas tratamento voltado a desinfecção preventiva na fonte de captação, sendo após distribuídas na rede pública.

As águas do manancial superficial, o Rio Taquari, em função das características da água bruta captada, são encaminhadas a uma Estação de Tratamento de Água onde sofrem tratamento clássico de clarificação e desinfecção e, só então distribuídas à população. O Mapa Temático - Reservatórios - Captação - ETA mostra a localização da ETA – Estação de Tratamento de Água, com sua captação, junto ao rio Taquari e reservação baixa e elevada.

 

Reservação
A área urbana conta atualmente com 09 reservatórios, distribuídos em função do tamanho, população e topografia. Outros 06 reservatórios estão em fase de projeto e/ou em execução. O Mapa Temático - Abastecimento d'Água - Áreas de Abrangência mostra a localização dos reservatórios, tanto de captação superficial quanto o de subterrânea, com seus respectivos volumes e áreas de abrangência.

Características de cada uma das unidades de reservação, capacidade e localização, existentes, em execução ou projetadas, independente se pertencentes ao poder público municipal ou pertencentes ao Estado, permitem observar significativas mudanças em período próximo. Isto, sem considerar as Sociedades Particulares de Água no município.

Todos os reservatórios são em concreto armado, seguindo padrão CORSAN, exceto aqueles de 50 m3, onde é utilizado material metálico.

A capacidade total de reservação atinge em torno de 5.215m³ (captação superficial), distribuídos entre nove (09) reservatórios. Admitindo-se consumo médio de água per capita de 180 l/pessoa.dia, ou seja, obtem-se um volume total de 8.854 m³/dia.

A capacidade total a ser reservada, conforme a NBR 12.217/94, é definida a partir de duas parcelas:
a) Reserva de Equilíbrio: Recomenda-se 25% do consumo diário.
b) Reserva de Incêndio: O volume de 250 m³/ reservatório correspondente ao consumo de água de um hidrante durante 4 horas.
Neste caso, o volume total de água a ser reservada resulta em:
Vtotal = Reserva de equilíbrio x 25% + Reserva para combate a incêndio
Vtotal = 8.854 m³ x 0,25 + 250 m³ /reservatório
Vtotal = 4.714 m³

Comparando-se o valor acima estimado com o volume total dos reservatórios existentes (V = 5.215 m3), pode-se concluir que a disponibilidade de água em reservatórios públicos está adequada. Esta estimativa não leva em conta eventuais demandas concentradas que possam ocorrer na área urbana da cidade de Lajeado.

O acréscimo de volume de água reservada, de 2.500 m3 contribuirá para maior confiabilidade do sistema de abastecimento de água, tanto para o consumo residencial, comercial, industrial de pequeno porte e serviços.

A questão de distribuição de hidrantes nas cidades deve obedecer a legislação estadual (Corpo de Bombeiros da Brigada Militar do Estado), particularmente o Decreto n. 37.312 de 20-03-1997, e local quanto a áreas de risco devido, por exemplo, ao adensamento e uso do solo. Assim como a observação de NBRs (Normas Técnicas), como por exemplo a NBR 12.218/1994, referente ao item 5.3.2 que diz sobre a necessidade de consulta ao corpo de bombeiros para localização dos hidrantes; e, item 5.3.3 onde a distância a ser observada entre hidrantes não deve exceder de 600 metros, em áreas consideradas de risco. O Mapa Temático - Hidrantes nos mostra a localização dos 169 hidrantes da cidade de Lajeado, todos em área de atividades e adensamento populacional significativo.

 

Distribuição
A extensão total da rede de distribuição está em torno de 196.711 metros (CORSAN), sendo 192.389 m, de rede padrão, e, 4.322 m precários, ou seja, parte da rede encontra-se em áreas não regularizadas.

O número de ligações domiciliares é de 11.525 (tanto edificações horizontais como verticais) a qual pode considerar mais de uma economia em uma única ligação domiciliar.

O número total de economias abastecidas é de 16.724, sendo 14.479 economias residenciais, o que representa densidade de 3,49 hab/economia.

O número de ligações dentro da tipologia comercial, industrial e pública é de 2.245, conforme cadastro da CORSAN.

Em função destes dados, observa-se que a média de testada de rede pública fica em torno de 13,65 m, o que representa um impacto adverso nos custos da implantação da rede e tratamento, quando comparados com custos unitários de cidades mais densamente ocupadas. No caso, Porto Alegre possui uma média de testada em torno de 3 a 4 m devido a maior verticalização das edificações, o que resulta em redução nos custos de implantação da infra-estrutura para a prestadora de serviços.

O manancial superficial, através da utilização da lâmina líquida do rio Taquari, contribui com cerca de 87,2% da produção de água.

O manancial subterrâneo, contribui com cerca de 12,8% da produção de água, correspondendo a um volume de água diário consumido da ordem de 54.840 l/h, sendo considerado neste cálculo o consumo de 180 litros por pessoa a cada dia.

Os poços fornecem segundo estimativa da CORSAN, uma vazão de cerca de 24 litros por segundo, ou seja, 86.400 l/h. Comparando-se a capacidade máxima obtida pelos poços, que é de 128.015 l/h com o volume atualmente produzido, verifica-se que há uma disponibilidade de 41.615 l/h, ou seja, 32% a mais, que pode ser aproveitado para o abastecimento de áreas vizinhas e ainda sem este serviço.

 

Ruas servidas por Rede de Água
Nos Mapas Temáticos Reservatório - Captação - ETA, e Abastecimento d'Água - Áreas de Abrangência, são apresentadas as áreas de abrangência ou influência de cada reservatório e/ou poço tubular, ou seja, as ruas dentro desta área estão servidas por rede de água (segundo projeto da CORSAN). E, os vazios urbanos dentro da área de abrangência dos reservatórios, existentes ou projetados, são áreas com possível urbanização no que se refere a abastecimento de água.

A extensão total da rede de distribuição está em torno de 196.711 metros (CORSAN), sendo 192.389 m, de rede padrão, e, 4.322 m precários, ou seja, parte da rede encontra-se em áreas não regularizadas. Em anexo listagem com a extensão de ruas com pavimentação e as sem pavimentação, por bairro, da área urbana, num total de 434.926 metros.

 

Ruas servíveis pela Rede de Água
As ruas servíveis por uma futura extensão da rede de água devem observar o nível máximo dos reservatórios, para obter a pressão mínima na rede, que é de 10 metros de coluna de água. Portanto, áreas urbanizadas lindeiras as redes de abastecimento de água com disponibilidade de pressão mínima, serão passíveis de extensão.