O conhecimento da evolução urbana é de grande importância para o planejamento da cidade. Com esse intuito, apresenta-se a seguir um breve histórico da ocupação da cidade de Lajeado.
A metodologia utilizada divide-se em duas partes. Na primeira, até a década de 60, a periodização do processo de ocupação é realizada com base em Müller (1976)(1) e tem como critério principal o acréscimo de novas funções à cidade. Já, na segunda, após a década de 60, a periodização é feita por década(2). Em relação aos dados, na primeira são desagregados por manchas e na segunda por loteamento. Por sua vez, as fontes utilizadas são mencionadas em cada período, os quais estão descritos a seguir, espacializados no Mapa Temático - Evolução da Ocupação Urbana e interpretados no Mapa Temático - Crescimento Urbano.
1º Período - Da formação até 1898
A ocupação inicial da cidade, que hoje é Lajeado, remonta ainda no século XIX, quando essas terras pertenciam a José Inácio Teixeira em 1824. Em 1853 passaram a pertencer a Antônio Fialho de Vargas, que instala o primeiro estabelecimento colonial, iniciando então, a colonização efetiva da área.
Mas o povoado de Lajeado se formou, posteriormente, à margem direita do Rio Taquari, em local jusante ao primeiro estabelecimento em função das atividades portuárias que já eram evidentes naquela época. Destacando-se complementarmente a esta a função de entreposto comercial com a região.
A morfologia do tecido urbano, neste primeiro momento, apresenta um traçado ortogonal definido a partir de dois eixos. Estes, refletem os dois principais fatores de crescimento do povoado: um paralelo ao Rio Taquari abrigando as funções portuárias e outro, perpendicular a esse, no divisor de águas dos Arroios do Engenho e Encantado, onde desenvolvem-se as atividades de prestação de serviços voltados ao abastecimento da população rural, principalmente da Colônia de Conventos, atual distrito de Conventos. Dentre estas atividades destacam-se o "Armazém Seccos e Molhados" e o "Engenho" pertencentes à Antônio Fialho de Vargas, proprietário das terras onde desenvolve-se o núcleo do povoado.
Percebe-se a influência da cultura portuguesa na implantação da estrutura espacial urbana. Tanto no traçado ortogonal como na ocorrência de dois núcleos, um portuário e outro comercial.
Em 1891 Lajeado torna-se sede do município.
2º Período - De 1898 a 1953
Este período corresponde diretamente as modificações na densidade demográfica, que cresceu numa taxa anual de 5% ao ano. A cidade por sua vez, começa a abrigar esse contingente populacional com um acréscimo também nas suas funções, que neste momento começam a ser incrementadas pelo setor industrial. A navegação perde o seu apogeu, do mesmo modo que as estradas vão ganhando importância, visto as melhorias na infra-estrutura que dão melhores condições de acesso por terra. Principalmente as ligações à Passo Fundo (via Encantado) e à Soledade.
O núcleo urbano toma corpo tendo por base o traçado urbano proposto nos "estudos preliminares do Plano Diretor" (1946)(3). O crescimento é periférico e contínuo destacando-se a direção Norte, induzida pelas rodovias citadas e pelo favorecimento topográfico, já que as demais são limitadas pela hidrografia.
3º Período - De 1953 a 1969
O crescimento de Lajeado ainda estava voltado para uma economia ligada profundamente ao setor primário.
Todavia, um fator externo contribuiu sobremaneira no desenvolvimento de Lajeado. A BR 386 "antiga RS 13", que une a capital, Porto Alegre, a região da produção, Nordeste - Noroeste do Estado, ficando conhecida por "Estrada da Produção". A rodovia atravessou a cidade, nesta época, perifericamente. O eixo principal de crescimento urbano (Norte-Sul) tem sua direção invertida para Leste-Oeste (paralelo à BR 386), proporcionando uma nova configuração a malha urbana(4). O primeiro caracterizado pelos usos de comércio e serviços (principalmente varejista) e o segundo pelas atividades industriais, de comércio e prestação de serviços de apoio ao transporte rodoviário.
Não obstante a inegável contribuição desse fato, a locação da rodovia gerou no sítio urbano a especulação imobiliária, que levou a valorizar grandemente aquele eixo. Por outro lado, transformou-se em barreira física (óbice) suscitando no lado norte uma ocupação de população de baixa renda, criando áreas marginalizadas, muito embora, atualmente, esta área não possua mais essa característica.
Assim, a função de apoio a produção agro - pastoril cede espaço à industrialização e ao comércio e serviços, principalmente de apoio ao setor de transportes.
4º Período - De 1970 a 1979
Este período, bem como os dois posteriores, são organizados a partir dos dados de aprovação dos projetos de loteamentos constantes do Cadastro Imobiliário Urbano do Município de Lajeado, criado em 1974(5). Esses dados estão organizados no anexo 1.1.
Observa-se que a ocupação ocorre predominantemente contínua à mancha urbana consolidada. No entanto, alguns loteamentos são implantados sem a preocupação de garantir essa continuidade. É o caso da vila Santo Antônio (ao sul da área urbanizada) e do Bairro Montanha (ao oeste) que, conforme verifica-se no Diagnóstico do Plano Diretor Integrado (1973), item 4.3.3.3 Estrutura do Território Urbano, não existiam quando da implantação do perímetro urbano.
Com isso são criadas "novas localizações" surgidas em função da definição, pelo PDI (1973), de um perímetro urbano cuja área de abrangência (aproximadamente 28,85 km² ) supera os espaços já urbanizados e consolidados. Essas geram a valorização dos interstícios, a chamada "especulação imobiliária". Nesse processo um "lugar" não chega a saturar-se e parte-se para a "criação" de outro, ocasionando um aumento dos custos de implantação e manutenção da infra-estrutura e serviços urbanos, por parte do poder público, bem como o risco da descontinuidade da malha viária.
Quanto à geometria das áreas parceladas, consistem em retângulos correspondentes às glebas rurais.
O PDI tem efeito positivo no que diz respeito a elaboração e implementação de novas leis como a do código de edificações.
5º Período - De 1980 a 1989
Este período é marcado pela intensificação do processo de criação de "novas localizações", cada vez mais distantes do centro urbano, principalmente para Oeste(6). Ocorre em proporção maior que a ocupação das áreas contíguas ao núcleo urbano consolidado. È visível o agravamento dos problemas já citados, onde o poder público tem que suprir e manter a infra-estrutura urbana de parcelas distantes e com baixíssima densidade de ocupação, conforme mostra o Mapa Temático - Densidade Residencial.
6º Período - De 1990 a 2000
Assim, como no período anterior, verifica-se que o processo de criação de "novas localizações" predomina sobre a ocupação de áreas contíguas à infra-estrutura urbana existente. A diferença está na direção predominante das "novas localizações". Na década de 80 observa-se um vetor de crescimento urbano para Oeste, enquanto na de 90, este ocorre para Sudoeste em função das expansões do perímetro urbano, respectivamente, em 1992 e 1998(7). A área do perímetro urbano de 1992 é de aproximadamente 41,45 km², enquanto a do atual é de 78,22 km².
1. Müller, D. M. (1974): Crescimento Urbano - um instrumento de análise aplicado ao Vale do Taquari. Publicado pelo Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional através do convênio MEC. MINTER. SEPLAN. UFRGS.
2. Base cartográfica: Mapa da "Vila" de Lajeado em 1898, in Mapa 16 - Evolução Urbana - do Plano Municipal de Desenvolvimento Integrado - 1973.
3. Base cartográfica: Estudos Preliminares do Plano Diretor -1946 e Malha Urbana - 1953, in Mapa 16 - Evolução Urbana - do Plano Municipal de Desenvolvimento Integrado - 1973
4. Base cartográfica: Loteamentos entre 1953 e 1963, in Mapa 16 - Evolução Urbana - do Plano Municipal de Desenvolvimento Integrado - 1973.
5. Loteamentos registrados no Cadastro Técnico do Município de Lajeado
6. Base cartográfica: Levantamento Aéro-fotogramétrico de 1989-1992.
7. Base cartográfica: Levantamento Aéro-fotogramétrico de 1997.
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